"S'Agapov", Eli Paspala (Grécia) - greek music
"Guardunha", Diabo a Sete (Portugal) - folk
As músicas do mundo prosseguem com "Guardunha" dos Diabo a Sete, um dos temas vulcânicos que fazem parte da “Parainfernália”, álbum de estreia do grupo, lançado este ano, e onde é convidado o músico Hugo Natal da Luz. Surgidos em Coimbra em 2003, os Diabo a Sete dizem ser uma espécie de cozido à portuguesa, embora com menos couves e mais enchidos. Das adaptações do cancioneiro nacional aos originais de inspiração popular, eles procuram reinventar a música tradicional portuguesa tomando como referência principal formações como o GEFAC (Grupo de Etnografia e Folclore da Academia de Coimbra) e a Brigada Victor Jara. Caminhos escaldantes que depois se alargam a recantos acústicos endiabrados como o rock, o reggae, a música celta ou as danças europeias. Com percursos diferentes mas um gosto comum pela música étnica do seu país, Pedro Damasceno, Celso Bento, Eduardo Murta, Julieta Silva, Luísa Correia, Miguel Cardina e André Moutinho misturam os sons da sanfona, da concertina, da flauta, da gaita-de-foles, do bandolim, do cavaquinho e da guitarra com os da bateria, das percussões e do baixo eléctrico. Um cruzamento entre o passado, o presente e o futuro, onde se reinventam ritmos, melodias e instrumentos de outros tempos. No dia 29 de Dezembro, os Diabo a Sete vão estar no Centro Norton de Matos, em Coimbra, e a 26 de Janeiro nas FNAC's de Almada e Cascais."Caminu Polaciones", Luétiga (Espanha) - folk
"Baay Faal", Youssou N'Dour (Senegal) - mbalax, afropop
"Gimme Shelter", Angélique Kidjo (Benim) - afropop, afrobeat
"Bulgarian Chicks", Balkan Beat Box (Israel) - gypsy-punk, contemporary folk
"Munt", Boom Pam (Israel) - world fusion, surf rock
"Nadie Te Tira", Ozomatli (EUA) -
Despedimo-nos com os Ozomatli e o tema “Nadie Te Tira”, extraído do álbum “Street Signs”, editado em 2004. Terceiro trabalho da banda (de que hoje fazem parte Raúl Pacheco, Asdrubal Sierra, Justin Porée, Ulisses Bella, Sheffer Brutton, Wil-Dog Abers, Mario Calire e Jiro Yamaguchi), formada em 1995, e em que participam o virtuoso marroquino do guimbri (alaúde berbere de três cordas) Hassan Hakmoun, os franceses “Les Yeux Noirs”, a Orquestra Sinfónica de Praga, David Hidalgo (Los Lobos), Mario Calire (The Wallflowers) e o pianista Eddie Palmieri. Os Ozomatli foram buscar o nome ao termo nahuatl (dialecto asteca) referente ao símbolo astrológico asteca do macaco e ao deus da dança, fogo e música. O grupo, que já colaborou com Carlos Santana e cujo som serviu de banda sonora a filmes como “Never Been Kissed” ou “Spanglish”, funde géneros como a salsa, a cumbia, o reggae e a dub com o gnawa africano, o funk do Médio Oriente, o punk, a pop, o jazz e os blues. O resultado é um rock latino com sabor ao hip-hop de Los Angeles, recheado de comentários sociais em inglês e castelhano que apelam à justiça social e aos direitos dos imigrantes. Uma energia acústica proporcionada por instrumentos como o tres (guitarra cubana), a jarana (guitarra mexicana), o requinto (grupo de pequenos cordofones e membrafones), o trompete, o trombone, o saxofone ou a tabla.
Jorge Costa


















As músicas do mundo prosseguem com Júlio Pereira e o tema "Santa Moura", extraído do seu último álbum “Geografias”, editado este ano. Um conjunto de inéditos instrumentais baseados em memórias de viagens e experimentações sonoras, e que resulta da combinação entre bandolim, guitarra portuguesa, viola braguesa, bouzouki e sintetizadores. Depois de muitos anos ligado ao cavaquinho, Júlio Pereira volta-se agora para outro cordofone pequeno, o bandolim, instrumento que o acompanha desde a infância. São sons tradicionais portugueses à mistura com ritmos africanos e orientais, num trabalho que conta com as vozes de Sara Tavares, Isabel Dias (grupo minhoto Raízes) e Marisa Pinto (Donna Maria), e com Miguel Veras na viola acústica e guitarra e Bernardo Couto na guitarra portuguesa. Júlio Pereira começou no rock nos anos 70 com grupos como os Petrus Castrus e os Xarhanga. Da inovação musical dos anos 60/70, à revitalização dos instrumentos tradicionais, a partir dos anos 80/90 Júlio Pereira associou-os a soluções acústicas contemporâneas. Ao longo de mais de três décadas de carreira, o multi-instrumentista, compositor e produtor tem colaborado com músicos como Carlos do Carmo, Amélia Muge, Pedro Burmester, Eugénia Melo e Castro, Zeca e João Afonso, José Mário Branco, Jorge Palma, Janita Salomé ou Fausto, bem como os The Chieftains, Pete Seeger, Kepa Junkera, Xosé Manuel Budiño, Uxia ou Na Lúa.