A 31ª emissão do MULTIPISTAS - MÚSICAS DO MUNDO, difundida no sábado, 25 de Novembro, entre as 17 e as 18 horas, na Rádio Urbana (Castelo Branco - 97.5 FM; Fundão, Covilhã e Guarda - 100.8 FM), vai de novo para o ar na segunda-feira, 27 de Novembro, entre as 19 e as 20 horas, sendo reposta três semanas depois (16 e 18 de Dezembro) nos horários atrás indicados.
Uma edição em que se destaca a rubrica Caixa de Ritmos, numa emissão especial, feita de poucas palavras, e inteiramente dedicada aos melhores temas que passaram nas últimas dez emissões deste programa. Eis a listagem do melhor dos melhores temas do MULTIPISTAS - MÚSICAS DO MUNDO:
"Ghole Pamtschal", Schäl Sick Brass Band (Alemanha) - brass band, jazz, folk
"Iddjagieđas", Mari Boine Persen (Noruega) - joik, jazz, blues
"Kekko", Kimmo Pohjonen (Finlândia) - folk-rock, electronic folk
"Olhos de Maré", Dazkarieh (Portugal) - folk rock, world fusion
"Per la Boca", L'Ham de Foc (Espanha) - traditional folk
"Todii", Oliver 'Tuku' Mtukudzi (Zimbabué) - tuku music
"Françafrique",Tiken Jah Fakoly (Costa do Marfim) - afropop, mandingo, soukous, african reggae
"Ghali Ya Bouy", Smadar Levi (Israel, EUA) - bellydance
"El Wejda", Mariem Hassan & Leyoad (Saara Ocidental) - haul, sahrawi music
"The Beat Of Love", Trilok Gurtu (Índia) - world, jazz, khylal
(os dados sobre estes temas podem ser encontrados nos textos das emissões em que foram emitidos)
Jorge Costa
quarta-feira, 22 de novembro de 2006
sábado, 11 de novembro de 2006
Emissão #30 - 11 Novembro 2006
A 30ª emissão do MULTIPISTAS - MÚSICAS DO MUNDO, difundida no sábado, 11 de Novembro, entre as 17 e as 18 horas, na Rádio Urbana (Castelo Branco - 97.5 FM; Fundão, Covilhã e Guarda - 100.8 FM), vai de novo para o ar na segunda-feira, 13 de Novembro, entre as 19 e as 20 horas, sendo reposta três semanas depois (2 e 4 de Dezembro) nos horários atrás indicados.
"Mile Marbshaisg Air A Ghaol", Capercaillie (Reino Unido) - celtic folk
Os escoceses Capercaillie a inaugurarem a emissão com o tema “Mile Marbhaisg Air A Ghaol” (Mil Feitiços no Amor), extraído do álbum “Choice Language”. Neste trabalho, editado em 2003, a mais popular banda da folk escocesa funde amostras de som e secções de ritmo com instrumentos tradicionais como o bouzouki, o whistle, o violino e a gaita irlandesa. Formados em 1984 na Oban High School, os Capercaillie remodelaram a paisagem sonora celta e construíram uma sólida reputação graças à forma como abordam a música tradicional das West Highlands. Um octeto que em todo o mundo já vendeu mais de um milhão de álbuns e que mistura a folk gaélica com ritmos contemporâneos, adicionando-lhes poderosas vozes e instrumentos electrónicos. Karen Matheson dá voz às composições da banda e a antigas canções gaélicas com mais de 400 anos, grande parte delas aprendidas na infância com a avó. O grupo fica completo com Donald Shaw, fundador dos Capercaillie, Che Beresford, Ewen Vernal, David Robertson, Charlie McKerron, Manus Lunny, Ewan Vernol, James Mackintosh e Michael McGoldrick.
"Tristos Ulls", L'Ham de Foc (Espanha) - traditional folk
Os valencianos L’Ham de Foc (Anzol de Fogo) regressam mais uma vez ao programa, desta feita com “Tristos Ulls”, tema extraído do seu terceiro e último álbum “Cor de Porc” (Coração de Porco), editado no ano passado. Desde 1998 que os L’Ham de Foc se servem de mais de trinta instrumentos acústicos mediterrânicos – darabuka, bendir, gaitas galega e búlgara, violino, sanfona, saltério, bouzouki, alaúde e cítara são alguns deles – para criarem atmosferas intensas e mágicas. Utilizando uma orquestração tradicional, mas socorrendo-se de uma linguagem actualizada, os L’Ham de Foc entrelaçam a música medieval ocidental, do Médio Oriente ou do Mediterrâneo oriental, num universo de sons africanos, europeus e orientais, criando um conglomerado sonoro que se concentra em redor do Mediterrâneo. As percussões são a base para os textos e melodias modais tecidas pela voz de Mara Aranda, que é acompanhada por instrumentos de corda e sopro, tocados por Efrén López. Contrariando a tendência crescente da folk actual pelos ritmos electrónicos, os L’Ham de Foc confiam na simplicidade do som acústico e na pureza da música medieval. Algo que os tornou uma referência em todo o mundo no que toca à música tradicional.
"Eixe Elástico", Xosé Manuel Budiño (Espanha) - folk, celtic music
O galego Xosé Manuel Budiño com "Eixe Elástico", mais um tema extraído do seu segundo álbum "Arredor", lançado em 2000. Um trabalho eclético e vanguardista, em que este jovem de Moaña - localidade com grande tradição gaiteira, situada junto a Pontevedra - pretendeu dar um salto definitivo na sua carreira artística. O álbum aproxima-se de géneros como o funky, o drum'n'bass, o rock, a new age e a folk, numa panóplia de ritmos e timbres que fazem dele um dos mais ousados tendo como protagonista um instrumento tradicional. Xosé Manuel Budiño procura então adaptar a gaita-de-foles à era da música electrónica, servindo-se da técnica para extrair dela e de outros instrumentos um universo infinito de harmonias, melodias e ritmos. Outro objectivo de Budiño é o de dar a conhecer a música criada na Galiza, numa viagem em redor de territórios físicos e sonoros. Entre outros instrumentos, nos doze temas deste disco fazem-se ouvir as gaitas galega e irlandesa, o low whistle, o bouzouki, o baixo, o acordeão e o clarinete. Um trabalho onde participam os músicos Leandro Deltell, Xan Hernández, Pedro Pascual, Xavier Díaz e Pablo Alonso, e em que são convidados especiais José Climent, o bretão Jacky Molard, as galegas Leilía e Mercedes Peón, os escoceses Donald Shaw e Tony McManus, bem como Ove Larsson, Paco Ibáñez e William Gibbs.
"Yekanini", Shiyani Ngocobo (África do Sul) - maskanda
Avançamos agora até à África do Sul com o tema "Yekanini" (Tudo Está Perdido), extraído do álbum "Introducing Shiyani Ngcobo", lançado em 2004. O mestre da maskanda nasceu em Umzinto, na costa sul de KwaZulu-Natal, região marcada pela pobreza e pelo êxodo urbano. Na infância, foi com o irmão mais velho que Shiyani Ngcobo construiu a sua primeira igogogo, uma guitarra feita a partir de uma lata de óleo. Fiel à estética inicial da maskanda, há mais de três décadas que o músico se dedica a este género, associando-lhe no entanto uma variedade de ritmos provenientes de outros estilos musicais. Com uma precisão elástica e um repertório diversificado, Shiyani Ngcobo dá voz aos dilemas e sonhos de uma geração de sul-africanos dos tempos do apartheid, sem no entanto cair nos seus estereótipos. A maskanda é um estilo tradicional zulu, surgido no início do século XX e associado aos trabalhadores e migrantes rurais, os quais cantavam sobre a sua nova vida na cidade e lembravam com nostalgia o passado no campo. Originalmente consistia numa técnica musical, conhecida por ukupika, que mais não era senão uma forma de adaptar ritmos tradicionais à guitarra acústica. Um género identificável pelas secções rápidas faladas ao estilo da izibongo, a poesia religiosa zulu. Na maskanda, em que subsistem reminescências dos tempos pré-coloniais, cada variante surge associada a uma comunidade regional sul-africana, diferenciando-se de acordo com os ritmos ou diferentes padrões de dança.
"Saye Mogo Bana", Issa Bagayogo (Mali) - mandig, wassoulou, afro-electro
Uma viagem até ao Mali com Issa Bagayogo e o tema “Saye Mogo Bana”, extraído do álbum “Timbuktu”, o segundo deste cantautor e editado em 2002. Issa Bagayogo cresceu numa pequena aldeia isolada, tendo então aprendido a tocar a kamele n’goni (uma harpa de caçador, equipada com seis cordas). Nos anos 90 foi até à capital, Bamako, onde conheceu o produtor Yves Wernert e o guitarrista Moussa Kone. Juntos decidiram fundir dois géneros tradicionais da música do Mali – o mandig e o wassoulou – com o techno (no seu país, Bagayogo é mesmo conhecido por “Techno-Issa”). O resultado é um género chamado de afro-electro. As sonoridades griot e as velhas melodias do deserto cruzam-se então com a dub e com a música electrónica de dança. Um híbrido entre sons tradicionais e electrónicos que abre novas fronteiras às centenárias raízes Wassulu do sudoeste do Mali. O nome escolhido para este trabalho presta homenagem à cidade maliana que outrora integrou a rota de caravanas que atravessava o Saára e que foi um importante centro de expansão do Islão. Nas letras deste disco, Issa Bagayogo deixa mesmo clara a esperança de que Timbuktu, capital intelectual e espiritual no final da dinastia Mandingo Askia (século XVI) seja uma cidade multi-étnica, onde muçulmanos, cristãos e vários grupos étnicos do Mali consigam viver em tranquilidade. Acompanhado por um coro feminino, Issa Bagayogo aborda assuntos como a comunidade, o casamento, a tolerância racial, a globalização e a toxicodependência. No tema que escutámos, a morte é a principal referência. Uma canção antiga, à mistura com percussão e cordas eléctricas, onde se recorda que "a morte leva-nos a carne mas não o nome”…
"Sahara Neb Gija", Mariem Hassan & Leyoad (Saara Ocidental) - haul, sahrawi music
Os sons deste planeta musical continuam com o tema “El Wedja”, extraído do álbum “Mariem Hassan com Leyoad”, editado em 2002. Mariem Hassan é uma das figuras máximas da música sarauí e símbolo da luta deste povo pela independência. Compositora, letrista e dona de uma voz excepcional, Mariem canta com uma intensidade dilacerante o amor, a fé e o sofrimento da população do Saara Ocidental, antiga colónia espanhola que em 1975 Marrocos e a Mauritânia dividiram entre si. À semelhança de dezenas de milhares de sarauís, a jovem Mariem Hassan foi então obrigada ao exílio, refugiando-se com a família durante 27 anos na parte mais inóspita do deserto do Saara, no sul da Argélia. A criação de grupos musicais foi uma forma encontrada por muitos para amenizar a vida dura dos acampamentos. Mariem Hassan, que actualmente vive em Sabadell (Barcelona), colabora há quase três décadas com diversos grupos de música sarauí, cantando na Europa, América e África. Tudo para que o mundo conheça a situação de um povo exilado e de uma artista que anseia poder regressar algum dia em liberdade a Smara, a cidade em que nasceu. Evocando os exilados e os mártires da guerra contra Marrocos, Mariem Hassan canta o haul, um blues do deserto, carregado de electricidade e hipnotismo, acompanhada pela percussão seca do tebal (tambor grande, tocado com as mãos pelas mulheres) e pelo tidinit (um alaúde rústico de quatro cordas, gradualmente substituído pela guitarra eléctrica), e esculpido pelas guitarras eléctricas.
"Maname Diname", Cheb I Sabbah (Argélia, EUA) - hindustani music
A viagem prossegue com Cheb I Sabbah, que nos traz "Maname Diname", tema extraído do álbum "Krishna Lila", lançado em 2002. Terceiro trabalho deste DJ argelino de ascendência judaica, que deixou o seu país na década de 60 e actualmente vive em São Francisco, nos Estados Unidos. Chebijii, nome pelo qual Cheb I Sabbah gosta de ser tratado, passou várias décadas a reunir sons nativos de Marraquexe, Nova Iorque e Nova Deli, sendo um grande apreciador e estudioso da música clássica hindu. Tal como acontece noutras religiões, no hinduísmo o canto é considerado uma prática de fé que permite uma aproximação com Deus. "Krishna Lila" é precisamente uma recolha de nove bhajans (canções de devoção) que para além de serem acompanhadas por instrumentos tradicionais hindus como a tabla, são misturados com ritmos de dança e batidas electrónicas. Neste álbum mais introspectivo, gravado em cinco dialectos hindus, Chebijii conta com a participação de Karsh Kale e Bill Laswell. Grande parte do disco baseia-se nas tradições da folk clássica indiana, com predominância da cítara de Ravi Shankar ou Ashwin Batish, e nos ritmos da tabla do Médio Oriente, em que têm especial influência percussionistas como Zakir Hussain. Mesmo não sendo indiano, Cheb I Sabbah é um dos maiores representantes do chamado asian underground, um movimento de artistas com origem étnica na Índia e Paquistão que vivem em grandes cidades do ocidente como Londres, Paris, Nova Iorque e São Francisco, e que fundem a sua cultura original com influências ocidentais e elementos electrónicos.
"l'Orient Est Rouge", Koçani Orkestar (Macedónia) & Lightning Head (Reino Unido) - gypsy brass band, gypsy oriental music
A fechar o programa, despedimo-nos com a Koçani Orkestar, que nos traz o tema "L'Orient Est Rouge". Uma versão remisturada por Lightning Head e extraída da colectânea "Electric Gypsyland", editada no ano passado. Originários da cidade macedónia do mesmo nome, os Koçani Orkestar são uma das mais conhecidas fanfarras ciganas daquele país (na Macedónia estes agrupamentos são conhecidos por duvaçki orkestar), bandas criadas originalmente século XIX para imitar as fanfarras militares turcas, e que acabariam por substituir os tradicionais ensembles. Liderada pelo trompetista Naat Veliov e com um repertório simultaneamente tradicional e contemporâneo, a Koçani Orkestar mistura o som das fanfarras com ritmos de dança turcos e búlgaros e melodias ciganas dos Balcãs. O resultado é uma frenética festa sonora, bem ao estilo de um género descrito localmente como romska orientalna musika (música cigana oriental), e composta por uma poderosa secção rítmica, encabeçada por quatro tubas e acompanhada pelo saxofone, pela trompete, pelo clarinete e pelo acordeão. Com a sua crescente projecção mundial, o ritmo da música cigana dos Balcãs acabou por chamar a atenção de produtores de música electrónica como Lightning Head, nome artístico do inglês Glyn "Bigga" Bush. Tornar a música sensual é o objectivo deste DJ, habituado a misturar ritmos da música brasileira, como o samba e a batucada, com géneros jamaicanos como o reggae, a dub, o ska, o rocksteady e a ragga, ou mesmo o boogaloo e a salsa. Energia e sensualidade estão assim combinadas neste “oriente vestido de vermelho”…
Jorge Costa
"Mile Marbshaisg Air A Ghaol", Capercaillie (Reino Unido) - celtic folk
"Tristos Ulls", L'Ham de Foc (Espanha) - traditional folk
Os valencianos L’Ham de Foc (Anzol de Fogo) regressam mais uma vez ao programa, desta feita com “Tristos Ulls”, tema extraído do seu terceiro e último álbum “Cor de Porc” (Coração de Porco), editado no ano passado. Desde 1998 que os L’Ham de Foc se servem de mais de trinta instrumentos acústicos mediterrânicos – darabuka, bendir, gaitas galega e búlgara, violino, sanfona, saltério, bouzouki, alaúde e cítara são alguns deles – para criarem atmosferas intensas e mágicas. Utilizando uma orquestração tradicional, mas socorrendo-se de uma linguagem actualizada, os L’Ham de Foc entrelaçam a música medieval ocidental, do Médio Oriente ou do Mediterrâneo oriental, num universo de sons africanos, europeus e orientais, criando um conglomerado sonoro que se concentra em redor do Mediterrâneo. As percussões são a base para os textos e melodias modais tecidas pela voz de Mara Aranda, que é acompanhada por instrumentos de corda e sopro, tocados por Efrén López. Contrariando a tendência crescente da folk actual pelos ritmos electrónicos, os L’Ham de Foc confiam na simplicidade do som acústico e na pureza da música medieval. Algo que os tornou uma referência em todo o mundo no que toca à música tradicional."Eixe Elástico", Xosé Manuel Budiño (Espanha) - folk, celtic music
O galego Xosé Manuel Budiño com "Eixe Elástico", mais um tema extraído do seu segundo álbum "Arredor", lançado em 2000. Um trabalho eclético e vanguardista, em que este jovem de Moaña - localidade com grande tradição gaiteira, situada junto a Pontevedra - pretendeu dar um salto definitivo na sua carreira artística. O álbum aproxima-se de géneros como o funky, o drum'n'bass, o rock, a new age e a folk, numa panóplia de ritmos e timbres que fazem dele um dos mais ousados tendo como protagonista um instrumento tradicional. Xosé Manuel Budiño procura então adaptar a gaita-de-foles à era da música electrónica, servindo-se da técnica para extrair dela e de outros instrumentos um universo infinito de harmonias, melodias e ritmos. Outro objectivo de Budiño é o de dar a conhecer a música criada na Galiza, numa viagem em redor de territórios físicos e sonoros. Entre outros instrumentos, nos doze temas deste disco fazem-se ouvir as gaitas galega e irlandesa, o low whistle, o bouzouki, o baixo, o acordeão e o clarinete. Um trabalho onde participam os músicos Leandro Deltell, Xan Hernández, Pedro Pascual, Xavier Díaz e Pablo Alonso, e em que são convidados especiais José Climent, o bretão Jacky Molard, as galegas Leilía e Mercedes Peón, os escoceses Donald Shaw e Tony McManus, bem como Ove Larsson, Paco Ibáñez e William Gibbs."Yekanini", Shiyani Ngocobo (África do Sul) - maskanda
"Saye Mogo Bana", Issa Bagayogo (Mali) - mandig, wassoulou, afro-electro
"Sahara Neb Gija", Mariem Hassan & Leyoad (Saara Ocidental) - haul, sahrawi music

Os sons deste planeta musical continuam com o tema “El Wedja”, extraído do álbum “Mariem Hassan com Leyoad”, editado em 2002. Mariem Hassan é uma das figuras máximas da música sarauí e símbolo da luta deste povo pela independência. Compositora, letrista e dona de uma voz excepcional, Mariem canta com uma intensidade dilacerante o amor, a fé e o sofrimento da população do Saara Ocidental, antiga colónia espanhola que em 1975 Marrocos e a Mauritânia dividiram entre si. À semelhança de dezenas de milhares de sarauís, a jovem Mariem Hassan foi então obrigada ao exílio, refugiando-se com a família durante 27 anos na parte mais inóspita do deserto do Saara, no sul da Argélia. A criação de grupos musicais foi uma forma encontrada por muitos para amenizar a vida dura dos acampamentos. Mariem Hassan, que actualmente vive em Sabadell (Barcelona), colabora há quase três décadas com diversos grupos de música sarauí, cantando na Europa, América e África. Tudo para que o mundo conheça a situação de um povo exilado e de uma artista que anseia poder regressar algum dia em liberdade a Smara, a cidade em que nasceu. Evocando os exilados e os mártires da guerra contra Marrocos, Mariem Hassan canta o haul, um blues do deserto, carregado de electricidade e hipnotismo, acompanhada pela percussão seca do tebal (tambor grande, tocado com as mãos pelas mulheres) e pelo tidinit (um alaúde rústico de quatro cordas, gradualmente substituído pela guitarra eléctrica), e esculpido pelas guitarras eléctricas.
"Maname Diname", Cheb I Sabbah (Argélia, EUA) - hindustani music
"l'Orient Est Rouge", Koçani Orkestar (Macedónia) & Lightning Head (Reino Unido) - gypsy brass band, gypsy oriental music
Jorge Costa
segunda-feira, 6 de novembro de 2006
Entrelaços: o reduto da música tradicional
Na sua sétima edição, o Entrelaços é um dos poucos redutos regulares de música do mundo na Beira Interior. O fraco orçamento levou a que este ano a aposta se limitasse aos grupos portugueses e à tradicional prata da casa. Memos assim, houve revelações: os CoMcORdAs, trio de cordas de Alcains que funde o swing com o jazz e a música cigana, e os bem dispostos Mu, banda folk inspirada nas culturas europeias e nos instrumentos de todo o mundo.

A música e a dança dos Mu animaram o Entrelaços
(imagem: Jorge Costa/Multipistas)
De regresso do Cine-Teatro Avenida, o Entrelaços – Festival Internacional de Música Tradicional de Castelo Branco continua a ser um dos poucos redutos regulares de música do mundo na Beira Interior. De resto, na região quase só há a recordar a tímida mas ousada experiência do Ethnicu, o Festival Internacional de Música Étnica da Beira Interior, então integrado na semana académica da Covilhã, e que entre 1999 e 2003 varreu vários quadrantes das músicas do mundo, englobando ainda a exibição de documentários bem como a realização de ateliês e exposições sobre a música tradicional. No entanto, nem tudo são reminiscências. Este ano surgiu no Sabugal o Festival de Música Tradicional do Alto-Côa, sinal de que na Beira Interior existe gente com vontade de apostar na área.
O orçamento disponível não permitiu grandes voos à organização do Entrelaços, que este ano se ficou pelos grupos portugueses e pela já habitual prata da casa. Mesmo assim, houve lugar a duas revelações: os CoMcORdAs, trio de cordas de Alcains que funde o swing com o jazz e a música cigana, e os sempre bem dispostos Mu, banda de folk que se inspirou nas culturas europeias e nos instrumentos de todo o mundo.
O evento arrancou a 14 de Outubro com a Orquestra de Harmónicas de Ponte de Sôr e com a música irlandesa, galega e portuguesa dos Lumen. A luz fez-se uma semana depois, a 21 de Outubro, com a subida ao palco dos CoMcORdAs e dos portuenses Mu. A encerrar o festival, a 28 de Outubro, estiveram a Orquestra Típica Albicastrense e a música popular dos Musicalbi, estes últimos anfitriões do certame.

No entender de Carlos Salvado, o festival é uma aposta ganha
(imagem: Jorge Costa/Multipistas)
Carlos Salvado, da organização, reconhece as alterações feitas ao formato original do festival, uma ponte de criação de laços de amizade, inaugurada em 2000. No entanto, e apesar da programação ter de seguir à risca a linha permitida pelo orçamento, este acredita que o festival encontrou a sua identidade e o seu público. “A qualidade dos grupos é notória e tem vindo a subir”, explica o porta-voz dos Musicalbi. “Felizmente que temos tido cada vez mais a adesão do público”.
Dar a conhecer a música do planeta é o objectivo deste festival. "Queremos mostrar às pessoas um pouco da cultura musical que se faz no mundo. Se pudermos fazer isso com grupos portugueses, fica-nos mais barato”, confessa Carlos Salvado. “Logicamente que gostaríamos de ter aqui músicos dos mais variados sítios, mas felizmente que em Portugal vamos tendo grupos que representam muito bem este género, só que ainda são totalmente desconhecidos pelo público".
O evento começou por se posicionar no âmbito da música tradicional, mas quer abrir as portas a novas tendências, em particular àquelas onde a folk se mistura com outras paragens sonoras. “O Entrelaços começa a ter uma abertura tão grande no mercado nacional, que já são os próprios grupos que fazem questão de vir tocar a este festival”, refere o mesmo responsável, que em 2007 espera que os apoios institucionais – o da autarquia e o da junta de freguesia – se mantenham. O desafio, esse é o mesmo: o de melhorar a qualidade do evento para que este continue por muitos anos.
Os discípulos de Django Reinhardt
Os CoMcORdAs, que como o próprio nome indica se trata de uma formação de cordas, são o mais recente rebento dos Ventos da Líria, um grupo de música celta irlandesa de Alcains. O nome não podia ser mais apropriado, visto que os três músicos que o integram tocam duas guitarras e um baixo.
Gil Duarte (guitarra ritmo), António Preto (guitarra solo) e Gonçalo Rafael (baixo acústico), que já faziam parte da primeira banda, fundem então o swing com o jazz e a música cigana e levam-nos numa viagem acústica pelo reportório de Django Reinhardt, pioneiro do jazz manouche, género que nas décadas de 1930 e 1940 introduziu a guitarra e a música cigana no jazz e nas big bands europeias. “Começámos a brincar com um CD manouche, que achámos muito giro, e vimos que poderíamos fazer um grupo diferente, porque é um estilo de música pouco usual”, refere Gil Duarte.

Gil Duarte acredita que o grupo está no bom caminho
(imagem: Jorge Costa/Multipistas)
Inicialmente, a ideia do grupo era a de participar apenas com três ou quatro temas num ciclo anual de cinema em Alcains, mas o rumo depressa se alterou. “Fomo-nos entusiasmando e arranjando mais temas”, conta o guitarrista. “Em pouco mais de um mês conseguimos arranjar os doze temas que estreámos nesse dia".
Os CoMcORdAs estrearam-se em Julho do ano passado, mas entretanto já estiveram no Outonalidades, da associação D'Orpheu, em Évora, e no festival Etnias, no Contagiarte, no Porto. Um sinal claro da boa aceitação do grupo, que entretanto tem vindo a expandir as suas actuações. “Em Castelo Branco, por exemplo, estamos a ser solicitados para tocar nos bares, e é bom termos os dois grupos diferentes, podermos ir com um e no outro dia com o outro”, acrescenta Gil Duarte. “Cremos que estamos no bom caminho e que temos um público, tanto nos Ventos da Líria, como nos Comcordas, ao qual agradam os nossos espectáculos”.
A amadurecerem ainda o seu novo formato musical, os CoMcORdAs não querem acelerar as coisas e preferem antes cimentar ainda mais a formação. Para já, na calha está a intenção de introduzirem outro tipo de instrumentos no grupo, mais ao nível da percussão.
VÍDEO...↓
Entrevista CoMcORdAs + tema ao vivo “Les Nababe”
Folk roufenha Made in Porto
Os portuenses Mu são uma jovem banda folk cuja alegria não deixa ninguém indiferente. Criados em 2003, eles inspiraram-se nas culturas europeias e nos instrumentos de todo o mundo. “Estamos abertos a todo o planeta, mas o nosso ponto de partida é a Europa”, refere Hugo Osga, dos Mu. Os ritmos e vozes tradicionais servem então de referência a este grupo que procura reinventar sobretudo danças balcânicas e eslavas – “muito graças à nossa acordeonista Sophie, que viveu algum tempo na Roménia”, explica o jovem – mas em cuja palete sonora não faltam também os sons ciganos, bretões, irlandeses ou mesmo africanos. ”Os instrumentos é que lhe vão dar uma nova roupagem musical, que depois ao ouvinte pode parecer mais árabe ou asiático”.
Hugo Osga, dos Mu, reclama por uma maior divulgação musical
(imagem: Jorge Costa/Multipistas)
Os Mu nasceram num bar numa jam session surgida a partir do ‘diálogo’ casual entre o didgeridoo de Hugo Osga e a tabla de Nuno Encarnação. ”A primeira vez que tocámos juntos nem nos conhecíamos”, lembra o multi-instrumentista do grupo. “Havia um DJ que punha música e nós improvisávamos. Fizemos uma brincadeira chamada World Beat Sessions, e às terças-feiras lá estávamos”. Surge então o nome da banda que, de acordo com Hugo Osga, se refere a “um caracter chinês que representa um portão, e quando este é atravessado, não se sabe bem onde está o lado de dentro e o lado de fora”. Entretanto, os dois músicos começaram a tocar noutros bares e sítios, até que novos elementos integram a formação.
Surgem então outros caminhos sonoros, que irão influenciar as composições dos Mu. Uma banda jovial, de estilo “roufenho, nómada e circense", conforme já lhes chamaram, e que tem feito sucesso em festivais como o Andanças, em S. Pedro do Sul, o Intercéltico de Sendim, ou o Danzas sin Fronteras, em Espanha. “Se cá dentro não tiveres nada para dar, de que serve um instrumento e a música?”, questiona-se Hugo Osga, lembrando o convívio que se vive dentro do grupo. Já na sua quarta formação, este integra ainda os músicos Diana Azevedo, Sophie Kalisz, Sérgio Calisto e Sara Barbosa, contando ainda com a colaboração da acordeonista Dulce Cruz. “É uma alegria brutal tocarmos juntos”, conclui o músico portuense, que para trás deixou sonoridades mais contemporâneas. “Eu fui baterista imensos anos, e há aqui malta que tocou guitarra eléctrica, mas para a expressão musical que queremos transmitir, estes são os instrumentos ideais”.
Como referências musicais para o seu projecto, os Mu citam os nomes dos Gaiteiros de Lisboa (“um dos grandes projectos de música tradicional portuguesa”, diz Hugo Osga), Dazkarieh (“apesar das muitas transformações que têm tido ao longo da carreira, continuam actualíssimos”) e os Uxu Kalhos (que no seu entender “têm uma abordagem radical à música tradicional portuguesa”). Entre as influências assumidas constam ainda a Fanfare Ciocărlia, os Hedningarna, os L’Ham de Foc, La Musgaña, Taraf de Haïdouks e os portugueses Galandum Galundaina. Em 2005 surgia finalmente o primeiro álbum do grupo: “Mundanças”. O título deste trabalho, em que também participam os Dazkarieh, mais não é do que um trocadilho de palavras que descreve na perfeição o mundo em mutação e recheado de alegria e dança em que os Mu estão mergulhados.
No entanto, nem tudo são rosas. “Em Portugal, há uma carência brutal na divulgação”, avisa o jovem, lamentando a fraca expressão da música do mundo nos meios de comunicação portugueses. “Para saber o que se está a passar, tenho de estar atento à Internet. Não há um programa na televisão, só o Top Mais. E o Blitz, jornal que até tinha alguma coisa, transformou-se numa revista e não sai nada acerca da world music”, confessa Hugo Osga. Mas as coisas estão a mudar, e são cada vez mais os grupos de folk e os eventos dedicados ao género. “Hoje em dia há imensos festivais e isso contribui muito para a formação de públicos”, acrescenta o jovem, dando como exemplos o Festival de Músicas do Mundo de Sines, o Andanças (“que é um pouco o berço dos Mu”) ou o Intercéltico de Sendim. No entanto, este apela a um aumento da dinâmica e dos curiosos e interessados por esta área. “Enquanto músico folk e divulgador da música tradicional gostava que houvesse muito mais gente, porque é na world music que está a raiz da nossa existência”.
VÍDEO...↓
Entrevista Mu + tema ao vivo “Nupcial Croata”
Jorge Costa



Os CoMcORdAs foram a grande surpresa do Entrelaços
(imagens: Jorge Costa/Multipistas)









A folk descontraída e animada dos Mu conquistou o público
(imagens: Jorge Costa/Multpistas)

A música e a dança dos Mu animaram o Entrelaços
(imagem: Jorge Costa/Multipistas)
De regresso do Cine-Teatro Avenida, o Entrelaços – Festival Internacional de Música Tradicional de Castelo Branco continua a ser um dos poucos redutos regulares de música do mundo na Beira Interior. De resto, na região quase só há a recordar a tímida mas ousada experiência do Ethnicu, o Festival Internacional de Música Étnica da Beira Interior, então integrado na semana académica da Covilhã, e que entre 1999 e 2003 varreu vários quadrantes das músicas do mundo, englobando ainda a exibição de documentários bem como a realização de ateliês e exposições sobre a música tradicional. No entanto, nem tudo são reminiscências. Este ano surgiu no Sabugal o Festival de Música Tradicional do Alto-Côa, sinal de que na Beira Interior existe gente com vontade de apostar na área.
O orçamento disponível não permitiu grandes voos à organização do Entrelaços, que este ano se ficou pelos grupos portugueses e pela já habitual prata da casa. Mesmo assim, houve lugar a duas revelações: os CoMcORdAs, trio de cordas de Alcains que funde o swing com o jazz e a música cigana, e os sempre bem dispostos Mu, banda de folk que se inspirou nas culturas europeias e nos instrumentos de todo o mundo.
O evento arrancou a 14 de Outubro com a Orquestra de Harmónicas de Ponte de Sôr e com a música irlandesa, galega e portuguesa dos Lumen. A luz fez-se uma semana depois, a 21 de Outubro, com a subida ao palco dos CoMcORdAs e dos portuenses Mu. A encerrar o festival, a 28 de Outubro, estiveram a Orquestra Típica Albicastrense e a música popular dos Musicalbi, estes últimos anfitriões do certame.

No entender de Carlos Salvado, o festival é uma aposta ganha
(imagem: Jorge Costa/Multipistas)
Carlos Salvado, da organização, reconhece as alterações feitas ao formato original do festival, uma ponte de criação de laços de amizade, inaugurada em 2000. No entanto, e apesar da programação ter de seguir à risca a linha permitida pelo orçamento, este acredita que o festival encontrou a sua identidade e o seu público. “A qualidade dos grupos é notória e tem vindo a subir”, explica o porta-voz dos Musicalbi. “Felizmente que temos tido cada vez mais a adesão do público”.
Dar a conhecer a música do planeta é o objectivo deste festival. "Queremos mostrar às pessoas um pouco da cultura musical que se faz no mundo. Se pudermos fazer isso com grupos portugueses, fica-nos mais barato”, confessa Carlos Salvado. “Logicamente que gostaríamos de ter aqui músicos dos mais variados sítios, mas felizmente que em Portugal vamos tendo grupos que representam muito bem este género, só que ainda são totalmente desconhecidos pelo público".
O evento começou por se posicionar no âmbito da música tradicional, mas quer abrir as portas a novas tendências, em particular àquelas onde a folk se mistura com outras paragens sonoras. “O Entrelaços começa a ter uma abertura tão grande no mercado nacional, que já são os próprios grupos que fazem questão de vir tocar a este festival”, refere o mesmo responsável, que em 2007 espera que os apoios institucionais – o da autarquia e o da junta de freguesia – se mantenham. O desafio, esse é o mesmo: o de melhorar a qualidade do evento para que este continue por muitos anos.
Os discípulos de Django Reinhardt
Os CoMcORdAs, que como o próprio nome indica se trata de uma formação de cordas, são o mais recente rebento dos Ventos da Líria, um grupo de música celta irlandesa de Alcains. O nome não podia ser mais apropriado, visto que os três músicos que o integram tocam duas guitarras e um baixo.
Gil Duarte (guitarra ritmo), António Preto (guitarra solo) e Gonçalo Rafael (baixo acústico), que já faziam parte da primeira banda, fundem então o swing com o jazz e a música cigana e levam-nos numa viagem acústica pelo reportório de Django Reinhardt, pioneiro do jazz manouche, género que nas décadas de 1930 e 1940 introduziu a guitarra e a música cigana no jazz e nas big bands europeias. “Começámos a brincar com um CD manouche, que achámos muito giro, e vimos que poderíamos fazer um grupo diferente, porque é um estilo de música pouco usual”, refere Gil Duarte.

Gil Duarte acredita que o grupo está no bom caminho
(imagem: Jorge Costa/Multipistas)
Inicialmente, a ideia do grupo era a de participar apenas com três ou quatro temas num ciclo anual de cinema em Alcains, mas o rumo depressa se alterou. “Fomo-nos entusiasmando e arranjando mais temas”, conta o guitarrista. “Em pouco mais de um mês conseguimos arranjar os doze temas que estreámos nesse dia".
Os CoMcORdAs estrearam-se em Julho do ano passado, mas entretanto já estiveram no Outonalidades, da associação D'Orpheu, em Évora, e no festival Etnias, no Contagiarte, no Porto. Um sinal claro da boa aceitação do grupo, que entretanto tem vindo a expandir as suas actuações. “Em Castelo Branco, por exemplo, estamos a ser solicitados para tocar nos bares, e é bom termos os dois grupos diferentes, podermos ir com um e no outro dia com o outro”, acrescenta Gil Duarte. “Cremos que estamos no bom caminho e que temos um público, tanto nos Ventos da Líria, como nos Comcordas, ao qual agradam os nossos espectáculos”.
A amadurecerem ainda o seu novo formato musical, os CoMcORdAs não querem acelerar as coisas e preferem antes cimentar ainda mais a formação. Para já, na calha está a intenção de introduzirem outro tipo de instrumentos no grupo, mais ao nível da percussão.
VÍDEO...↓
Entrevista CoMcORdAs + tema ao vivo “Les Nababe”
Folk roufenha Made in Porto
Os portuenses Mu são uma jovem banda folk cuja alegria não deixa ninguém indiferente. Criados em 2003, eles inspiraram-se nas culturas europeias e nos instrumentos de todo o mundo. “Estamos abertos a todo o planeta, mas o nosso ponto de partida é a Europa”, refere Hugo Osga, dos Mu. Os ritmos e vozes tradicionais servem então de referência a este grupo que procura reinventar sobretudo danças balcânicas e eslavas – “muito graças à nossa acordeonista Sophie, que viveu algum tempo na Roménia”, explica o jovem – mas em cuja palete sonora não faltam também os sons ciganos, bretões, irlandeses ou mesmo africanos. ”Os instrumentos é que lhe vão dar uma nova roupagem musical, que depois ao ouvinte pode parecer mais árabe ou asiático”.
Hugo Osga, dos Mu, reclama por uma maior divulgação musical
(imagem: Jorge Costa/Multipistas)
Os Mu nasceram num bar numa jam session surgida a partir do ‘diálogo’ casual entre o didgeridoo de Hugo Osga e a tabla de Nuno Encarnação. ”A primeira vez que tocámos juntos nem nos conhecíamos”, lembra o multi-instrumentista do grupo. “Havia um DJ que punha música e nós improvisávamos. Fizemos uma brincadeira chamada World Beat Sessions, e às terças-feiras lá estávamos”. Surge então o nome da banda que, de acordo com Hugo Osga, se refere a “um caracter chinês que representa um portão, e quando este é atravessado, não se sabe bem onde está o lado de dentro e o lado de fora”. Entretanto, os dois músicos começaram a tocar noutros bares e sítios, até que novos elementos integram a formação.
Surgem então outros caminhos sonoros, que irão influenciar as composições dos Mu. Uma banda jovial, de estilo “roufenho, nómada e circense", conforme já lhes chamaram, e que tem feito sucesso em festivais como o Andanças, em S. Pedro do Sul, o Intercéltico de Sendim, ou o Danzas sin Fronteras, em Espanha. “Se cá dentro não tiveres nada para dar, de que serve um instrumento e a música?”, questiona-se Hugo Osga, lembrando o convívio que se vive dentro do grupo. Já na sua quarta formação, este integra ainda os músicos Diana Azevedo, Sophie Kalisz, Sérgio Calisto e Sara Barbosa, contando ainda com a colaboração da acordeonista Dulce Cruz. “É uma alegria brutal tocarmos juntos”, conclui o músico portuense, que para trás deixou sonoridades mais contemporâneas. “Eu fui baterista imensos anos, e há aqui malta que tocou guitarra eléctrica, mas para a expressão musical que queremos transmitir, estes são os instrumentos ideais”.
Como referências musicais para o seu projecto, os Mu citam os nomes dos Gaiteiros de Lisboa (“um dos grandes projectos de música tradicional portuguesa”, diz Hugo Osga), Dazkarieh (“apesar das muitas transformações que têm tido ao longo da carreira, continuam actualíssimos”) e os Uxu Kalhos (que no seu entender “têm uma abordagem radical à música tradicional portuguesa”). Entre as influências assumidas constam ainda a Fanfare Ciocărlia, os Hedningarna, os L’Ham de Foc, La Musgaña, Taraf de Haïdouks e os portugueses Galandum Galundaina. Em 2005 surgia finalmente o primeiro álbum do grupo: “Mundanças”. O título deste trabalho, em que também participam os Dazkarieh, mais não é do que um trocadilho de palavras que descreve na perfeição o mundo em mutação e recheado de alegria e dança em que os Mu estão mergulhados.
No entanto, nem tudo são rosas. “Em Portugal, há uma carência brutal na divulgação”, avisa o jovem, lamentando a fraca expressão da música do mundo nos meios de comunicação portugueses. “Para saber o que se está a passar, tenho de estar atento à Internet. Não há um programa na televisão, só o Top Mais. E o Blitz, jornal que até tinha alguma coisa, transformou-se numa revista e não sai nada acerca da world music”, confessa Hugo Osga. Mas as coisas estão a mudar, e são cada vez mais os grupos de folk e os eventos dedicados ao género. “Hoje em dia há imensos festivais e isso contribui muito para a formação de públicos”, acrescenta o jovem, dando como exemplos o Festival de Músicas do Mundo de Sines, o Andanças (“que é um pouco o berço dos Mu”) ou o Intercéltico de Sendim. No entanto, este apela a um aumento da dinâmica e dos curiosos e interessados por esta área. “Enquanto músico folk e divulgador da música tradicional gostava que houvesse muito mais gente, porque é na world music que está a raiz da nossa existência”.
VÍDEO...↓
Entrevista Mu + tema ao vivo “Nupcial Croata”
Jorge Costa



Os CoMcORdAs foram a grande surpresa do Entrelaços
(imagens: Jorge Costa/Multipistas)









A folk descontraída e animada dos Mu conquistou o público
(imagens: Jorge Costa/Multpistas)
Etiquetas:
Beira_TV,
Comcordas,
Entrelaços,
entrevista,
Mu
terça-feira, 31 de outubro de 2006
World Music Charts Europe - Novembro 2006
Eis o TOP 20 relativo ao mês de Novembro dos 171 discos nomeados para a tabela europeia de música do mundo (a lista pode ser consultada em http://www.wmce.de). A assinalar, a manutenção da liderança pelo segundo mês consecutivo e as onze novas entradas no topo do painel: oito em estreia absoluta no WMCE e três a subirem para os primeiros vinte lugares:
1º- SAVANE, Ali Farka Toure (Mali) - World Circuit
mês passado: 1ºlugar
2º- HIRI, Kepa Junkera (Espanha) - Elkar
mês passado: 27ºlugar
3º- PASJA LEGENDA, Brina (Eslovénia) - DruGod
mês passado: 6ºlugar
4º- ELECTRIC GYPSYLAND 2, vários (Roménia) - Crammed
mês passado: 42ºlugar
5º- BREATH, Mercan Dede (Turquia, Canadá) - Doublemoon
mês passado: 4ºlugar
6º- BOOM PAM, Boom Pam (Israel) - Essay Recordings
mês passado: 10ºlugar
7º- GOLDEN AFRIQUE VOL. 3, vários - Network Medien
mês passado: 2ºlugar
8º- SHTETL SUPERSTARS, vários - Trikont
estreia na tabela
9º- ALMINARES MEDITERRANEOS, Caravasar (Espanha) - Resistencia
estreia na tabela
10º- MUSIQUES METISSES, vários - Marabi
mês passado: 3ºlugar
11º- IDJAGIEĐAS, Mari Boine (Noruega) - Emarcy (Universal)
mês passado: 5ºlugar
12º- EOLH, Almasala (Espanha) - Ventilador
estreia na tabela
13º- BURLESQUE, Bellowhead (Reino Unido) - Westpark
estreia na tabela
14º- M'BEM DI FORA, Lura (Cabo Verde) - Lusafrica
estreia na tabela
15º- DA QUESTA PARTE DEL MARE, Gianmaria Testa (Itália) - Harmonia Mundi
estreia na tabela
16º- RIMFAXE, Gjallarhorn (Finlândia, Suécia) - Vindauga/Westpark
mês passado: 11ºlugar
17º- ABACABOK, Tartit (Mali) - Crammed
mês passado: 107ºlugar
18º- ELECTRIC GRIOT LAND, Ba Cissoko (Guiné-Conacri) - Totolo
estreia na tabela
19º- MASCARAS, Sergent García (Espanha) - EMI
mês passado: 15ºlugar
20º- EL EVANGELIO SEGUN MI JARDINERO, Martin Buscaglia (Uruguai) - Love Monk
estreia na tabela
1º- SAVANE, Ali Farka Toure (Mali) - World Circuit
mês passado: 1ºlugar
2º- HIRI, Kepa Junkera (Espanha) - Elkar
mês passado: 27ºlugar
3º- PASJA LEGENDA, Brina (Eslovénia) - DruGod
mês passado: 6ºlugar
4º- ELECTRIC GYPSYLAND 2, vários (Roménia) - Crammed
mês passado: 42ºlugar
5º- BREATH, Mercan Dede (Turquia, Canadá) - Doublemoon
mês passado: 4ºlugar
6º- BOOM PAM, Boom Pam (Israel) - Essay Recordings
mês passado: 10ºlugar
7º- GOLDEN AFRIQUE VOL. 3, vários - Network Medien
mês passado: 2ºlugar
8º- SHTETL SUPERSTARS, vários - Trikont
estreia na tabela
9º- ALMINARES MEDITERRANEOS, Caravasar (Espanha) - Resistencia
estreia na tabela
10º- MUSIQUES METISSES, vários - Marabi
mês passado: 3ºlugar
11º- IDJAGIEĐAS, Mari Boine (Noruega) - Emarcy (Universal)
mês passado: 5ºlugar
12º- EOLH, Almasala (Espanha) - Ventilador
estreia na tabela
13º- BURLESQUE, Bellowhead (Reino Unido) - Westpark
estreia na tabela
14º- M'BEM DI FORA, Lura (Cabo Verde) - Lusafrica
estreia na tabela
15º- DA QUESTA PARTE DEL MARE, Gianmaria Testa (Itália) - Harmonia Mundi
estreia na tabela
16º- RIMFAXE, Gjallarhorn (Finlândia, Suécia) - Vindauga/Westpark
mês passado: 11ºlugar
17º- ABACABOK, Tartit (Mali) - Crammed
mês passado: 107ºlugar
18º- ELECTRIC GRIOT LAND, Ba Cissoko (Guiné-Conacri) - Totolo
estreia na tabela
19º- MASCARAS, Sergent García (Espanha) - EMI
mês passado: 15ºlugar
20º- EL EVANGELIO SEGUN MI JARDINERO, Martin Buscaglia (Uruguai) - Love Monk
estreia na tabela
segunda-feira, 23 de outubro de 2006
Emissão #29 - 28 Outubro 2006
A 29ª emissão do MULTIPISTAS - MÚSICAS DO MUNDO, difundida no sábado, 28 de Outubro, entre as 17 e as 18 horas, na Rádio Urbana (Castelo Branco - 97.5 FM; Fundão, Covilhã e Guarda - 100.8 FM), vai de novo para o ar na segunda-feira, 30 de Outubro, entre as 19 e as 20 horas, sendo reposta três semanas depois (18 e 20 de Novembro) nos horários atrás indicados.
"Breaking The Ethers/Serengeti", Tuatara (EUA) - funk, jazz, rock, lounge
A abrir a emissão os Tuatara com o tema "Breaking The Ethers/Serengeti", extraído do seu primeiro álbum "Breaking The Ethers", lançado em 2001. Um trabalho instrumental que foi bem acolhido pela crítica devido à sua originalidade e expressão musical. Nele são reunidas várias jam sessions em que o quarteto utiliza instrumentos exóticos como o didgeridoo, os tambores de aço, as percussões africanas, o bandolim e o alaúde. O disco abre com sons étnicos que rapidamente ganham ritmo e percussão. Esta banda experimental mistura referências como o rock, o bebop, o jazz, o funky ou o lounge, criando um som em que extravasa a diversão e que se tornou conhecido sobretudo pela sua utilização em bandas sonoras para cinema e televisão. Entretanto os Tuatara têm vindo a cruzar a instrumentação ao vivo com as misturas electrónicas de vários DJ's. Este colectivo de compositores norte-americanos nasceu em Seattle, em 1997. Integram o grupo Barrett Martin (ex-percussionista dos Screaming Trees), Mad Season, Steve Berlin (dos Los Lobos), Justin Harwood (antigo baixista dos Luna), Scott McCaugghey, Peter Buck (ambos dos REM) e Skerik (lendário saxofonista de Seattle). A título de curiosidade, a tuatara - nome que em maori significa "dorso espinhoso" - é um réptil da Nova Zelândia, praticamente extinto, e que pouco mudou nos últimos 220 milhões de anos.
"Baline", Urban Trad (Bélgica) - techno folk
As músicas do mundo prosseguem com os belgas Urban Trad e o tema "Baline", extraído do seu trabalho de estreia "One O Four", editado em 2001. Como o próprio nome indica, os Urban Trad combinam a melhor música tradicional com ritmos modernos, criando uma folk urbana, influenciada por um ambiente techno. O projecto arrancou em 2000, quando Yves Barbieux, compositor da banda Coïncidence, decidiu reunir uma vintena de artistas da cena tradicional belga para misturar música celta com sons urbanos. Se inicialmente se tratava de conceber um primeiro álbum, o êxito alcançado encorajou o autor a juntar outros músicos aos Urban Trad. O momento alto da carreira da banda aconteceria no Festival Eurovisão da Canção de 2003, na Letónia. Os oito elementos do grupo conquistaram então um segundo lugar e o grande público com uma canção interpretada num idioma imaginário e que levou pela primeira vez o timbre da gaita-de-foles para a Eurovisão. Volvidos três álbuns, o repertório dos Urban Trad passou a abranger, para além da música celta, a Escandinávia, a França, a Espanha e os países de Leste. Um grupo de inspiração tradicional, mas ancorado no presente, já que acompanha instrumentos acústicos como o acordeão, o violino e a flauta com o canto e uma secção rítmica cheia de energia e musicalidade.
"Fume de Lume", Xosé Manuel Budiño (Espanha) - folk, celtic music
O galego Xosé Manuel Budiño com "Fume de Lume", tema extraído do seu segundo álbum "Arredor", lançado em 2000. Um trabalho eclético e vanguardista, em que este jovem de Moaña - localidade com grande tradição gaiteira, situada junto a Pontevedra - pretendeu dar um salto definitivo na sua carreira artística. O álbum aproxima-se de géneros como o funky, o drum'n'bass, o rock, a new age e a folk, numa panóplia de ritmos e timbres que fazem dele um dos mais ousados tendo como protagonista um instrumento tradicional. Xosé Manuel Budiño procura então adaptar a gaita-de-foles à era da música electrónica, servindo-se da técnica para extrair dela e de outros instrumentos um universo infinito de harmonias, melodias e ritmos. Outro objectivo de Budiño é o de dar a conhecer a música criada na Galiza, numa viagem em redor de territórios físicos e sonoros. Entre outros instrumentos, nos doze temas deste disco fazem-se ouvir as gaitas galega e irlandesa, o low whistle, o bouzouki, o baixo, o acordeão e o clarinete. Um trabalho onde participam os músicos Leandro Deltell, Xan Hernández, Pedro Pascual, Xavier Díaz e Pablo Alonso, e em que são convidados especiais José Climent, o bretão Jacky Molard, as galegas Leilía e Mercedes Peón, os escoceses Donald Shaw e Tony McManus, bem como Ove Larsson, Paco Ibáñez e William Gibbs.
"Kova", Kimmo Pohjonen (Finlândia) - folk-rock, electronic folk
A viagem prossegue com o finlandês Kimmo Pohjonen e o tema “Kova”, retirado do álbum “Kielo”, lançado em 1999. Uma série de peças a solo, algumas delas acústicas, outras manipuladas, que estabeleceram um novo parâmetro para a nova avant garde. Com uma carreira de vinte anos, repartida entre a folk, a música clássica e o rock, o músico e compositor Kimmo Pohjonen mistura de forma única o acordeão com amostras de som e percussões, levando-o para universos como a dança contemporânea ou o teatro musical. Pohjonen, que nasceu na aldeia de Viiala, começou a tocar acordeão aos oito anos por influência do pai. Na Academia Sibelius, em Helsínquia, foi encorajado a absorver a folk e a misturá-la com outros estilos. Para expandir a sonoridade do fole diatónico, em 1996 Kimmo apresentou-se em palco com um acordeão cromático e com composições originais que integravam samples e loops do islandês Samuli Kosminen, com quem viria a formar o duo Kluster. Mais tarde, a eles juntaram-se Pat Mastrelotto e Trey Jun, dando lugar ao quarteto Kluster TU. Entretanto, Pohjonen tem vindo a colaborar com músicos finlandeses como Heikki Leitinen, Maria Kalaniemi, Alanko Saatio ou Arto Järvellä, integrando ainda os grupos de new folk Pinnin Pojat e Ottopasuuna. Apesar dos mais de 13 quilos do acordeão, em palco Pohjonen movimenta-se de forma enérgica, extraindo de forma electrónica camadas de som a que por vezes adiciona a própria voz. Actualmente mais voltado para o formato acústico, Kimmo Pohjonen mantém no entanto como base as raízes e os cantos populares da Finlândia, tocando com primazia outros tipos de acordeão, harmónica e ainda a marimba. Tradição e improviso estão assim unidos, numa busca de novos sons através da música experimental e electrónica.
"Halla",Värttinä (Finlândia) - traditional finnish folk/suomirock
A jornada musical continua com as Värttinä e o tema “Halla”, extraído do seu sexto álbum “Kokko”, editado em 1996. A mais conhecida banda da folk contemporânea finlandesa, que este ano celebrou o seu 23ºaniversário, trouxe-nos uma apelativa mistura de pop e rock ocidental com folk europeia e nórdica. As Värttinä são conhecidas por terem inventado uma visão contemporânea da tradição vocal feminina e da poesia popular da Carélia – uma região isolada na fronteira entre a Finlândia e a Rússia – reforçando as letras emocionais com ritmos em fino-úgrico, idioma antecessor do finlandês. O grupo nasceu em Raakkylaa, uma pequena cidade na Carélia filandesa. Entusiasmados pelas mães, alguns miúdos juntaram-se para cantar músicas folk e tocar kantele (uma versão filandesa do zither, instrumento da família da cítara). À medida que foram crescendo, muitos deixaram o grupo, mas quatro raparigas criaram uma nova formação, que continuou a fazer arranjos tradicionais mas passou também a compor temas próprios. Actualmente fazem parte das Värttinä Mari Kaasine, Johanna Virtanen e Susan Aho, vozes enérgicas e harmónicas que são suportadas por seis músicos acústicos que aliam a instrumentação tradicional e contemporânea (feita à base da guitarra, violino, acordeão, baixo e percussões) aos ritmos complexos e arranjos modernos. Uma base rítmica sólida em que se mantém o vigor e o calor vocal de sempre.
"M'Bifo",Rokia Traoré (Mali) - malian contemporary music
Segue-se Rokia Traoré com o tema “M’Bifo”, extraído do álbum “Bowmboï”, editado em 2003. Neste seu terceiro álbum, a mais jovem diva do Mali dá uma expressão moderna aos instrumentos tradicionais africanos que habitualmente não surgem juntos, combinando o n’goni com a balaba (grande balafon da região de Beledougou, a terra natal de Rokia) e inovando nas estruturas rítmicas e melódicas da música de raízes étnicas da África Ocidental. Filha de um diplomata maliano, Rokia Traoré construiu a sua carreira em França antes de regressar ao seu país. Mesmo não sendo uma griot – ela pertence ao grupo étnico Bamana, a maioria dos Bambara – ela decidiu escolher o canto como carreira. Durante a adolescência integraria várias bandas, até que em 1996, aos 22 anos, resolveu encarar a música de forma profissional. A voz de Rokia Traoré não possui a força de Oumou Sangare ou a profundidade de Kandia Kouyate, mas é delicada e intensa, apresentando-se cheia de nostalgia e de esperança. Co-produzido por Rokia e Thomas Weill, este disco escapa aos estereótipos com que por vezes o ocidente olha para a música africana. Os dez temas foram compostos em bamana, a língua nativa de Rokia Traoré. Nas músicas, onde esta canta a solo ou lado a lado com Ousmane Sacko e Charlotte Dipanda, Rokia Traoré fala sobre a infância, as fragilidades dos relacionamentos, os direitos das mulheres, a pobreza, a discriminação racial ou a vida diária no Mali. Grande parte do trabalho foi gravado naquele país, à excepção dos dois temas em que participa o grupo de cordas Kronos Quartet, os quais foram registados em São Francisco.
"Dery", Salif Keita (Mali) - afropop, mandingo
A jornada prossegue com Salif Keita e o tema “Dery”, extraído do álbum “M’Bemba”, editado no ano passado. Exímio guitarrista, Salif Keita começou a sua carreira nos anos 60 na Rail Band e nos Ambassadeurs. Um longo percurso que teve como pontos altos a passagem por Abdijan, Nova Iorque e Paris. Mas foram precisos trinta e cinco anos até que Salif Keita pudesse gravar um disco no seu país, o Mali. No álbum “M’Bemba” (Antepassado), este conta com a colaboração de músicos como Mama Sissoko na luth n’goni, ou Toumani Diabaté na kora, duas guitarras tradicionais do Mali. Um trabalho onde Salif Keita invoca a memória do seu glorioso antecessor, o imperador Soundiata Keita, fundador do império Mandingue no século XII. Neste disco, Salif Keita abandona um estilo orientado para a pop, antecipando o renascimento da música tradicional mandingo e dos seus principais instrumentos, como a n’goni (espécie de guitarra mourisca), o balafon (xilofone ancestral) ou o calabash (instrumento de percussão). A voz de ouro do Mali cruza então sonoridades como o rock, o jazz, a soul, a chanson française ou os ritmos afro-cubanos, influências acústicas com que o músico inaugurou o conceito de afropop.
"No Agreement", Fela Kuti (Nigéria) - afrobeat
A fechar o programa, despedimo-nos com Res, Tony Allen, Ray Lema, Baaba Maa, Positive Black Soul e Archie Shepp. Todos eles se juntam no tema “No Agreement”, parte integrante do álbum "Red Hot +: The Music and Spirit of Fela Kuti”, um tributo gravado em 2002 pela Red Hot com o objectivo de angariar dinheiro para os 25 milhões de africanos infectados com o HIV. São novas versões das músicas de Fela Kuti, aqui interpretadas por quase quarenta grupos e artistas, que as resgataram do passado e remisturaram de acordo com o seu estilo. Praticamente irreconhecíveis em relação aos originais, estes temas cobrem um vasto especto musical que passa pelo hip-hop, jazz, soul, afrobeat, world music, electronic e rock. Percursor da afrobeat e considerado o maior nome da música africana, Fela Kuti transformou-se num ícone da luta contra a sida em África ao ter morrido em 1997 devido a complicações relacionadas com a doença. Algo irónico tendo em conta que o músico nigeriano acreditara durante muito tempo que a sida não existia.
Jorge Costa
"Breaking The Ethers/Serengeti", Tuatara (EUA) - funk, jazz, rock, lounge
"Baline", Urban Trad (Bélgica) - techno folk
"Fume de Lume", Xosé Manuel Budiño (Espanha) - folk, celtic music
O galego Xosé Manuel Budiño com "Fume de Lume", tema extraído do seu segundo álbum "Arredor", lançado em 2000. Um trabalho eclético e vanguardista, em que este jovem de Moaña - localidade com grande tradição gaiteira, situada junto a Pontevedra - pretendeu dar um salto definitivo na sua carreira artística. O álbum aproxima-se de géneros como o funky, o drum'n'bass, o rock, a new age e a folk, numa panóplia de ritmos e timbres que fazem dele um dos mais ousados tendo como protagonista um instrumento tradicional. Xosé Manuel Budiño procura então adaptar a gaita-de-foles à era da música electrónica, servindo-se da técnica para extrair dela e de outros instrumentos um universo infinito de harmonias, melodias e ritmos. Outro objectivo de Budiño é o de dar a conhecer a música criada na Galiza, numa viagem em redor de territórios físicos e sonoros. Entre outros instrumentos, nos doze temas deste disco fazem-se ouvir as gaitas galega e irlandesa, o low whistle, o bouzouki, o baixo, o acordeão e o clarinete. Um trabalho onde participam os músicos Leandro Deltell, Xan Hernández, Pedro Pascual, Xavier Díaz e Pablo Alonso, e em que são convidados especiais José Climent, o bretão Jacky Molard, as galegas Leilía e Mercedes Peón, os escoceses Donald Shaw e Tony McManus, bem como Ove Larsson, Paco Ibáñez e William Gibbs."Kova", Kimmo Pohjonen (Finlândia) - folk-rock, electronic folk
"Halla",Värttinä (Finlândia) - traditional finnish folk/suomirock
"M'Bifo",Rokia Traoré (Mali) - malian contemporary music
"Dery", Salif Keita (Mali) - afropop, mandingo
"No Agreement", Fela Kuti (Nigéria) - afrobeat
Jorge Costa
Etiquetas:
Fela_Kuti,
Kimmo_Pohjonen,
Rokia_Traoré,
Salif_Keita,
Tuatara,
Urban_Trad,
Värttinä,
Xosé_Manuel_Budiño
sexta-feira, 13 de outubro de 2006
Emissão #28 -14 Outubro 2006
A 28ª emissão do MULTIPISTAS - MÚSICAS DO MUNDO, difundida no sábado, 14 de Outubro, entre as 17 e as 18 horas, na Rádio Urbana (Castelo Branco - 97.5 FM; Fundão, Covilhã e Guarda - 100.8 FM), vai de novo para o ar na segunda-feira, 16 de Outubro, entre as 19 e as 20 horas, sendo reposta três semanas depois (4 e 6 de Novembro) nos horários atrás indicados.
"Iddjagieđas", Mari Boine Persen (Noruega) - joik, jazz, blues
A abrir a emissão a norueguesa Mari Boine Persen com o tema “Iddjagieđas” (Na Mão da Noite), extraído do álbum do mesmo nome, lançado em Abril deste ano. Com mais de vinte anos de carreira, Mari Boine tem lutado pela preservação das tradições e pelo reconhecimento dos direitos dos seus compatriotas sami, povo que habita a chamada Lapónia, território situado no norte da Escandinávia. Mari Boine cresceu numa altura em que ainda era proibido falar o dialecto sami nas escolas e cantar o joik (yoik em inglês). Graças à pesada herança da colonização cristã, o canto mais característico dos sami foi durante muito tempo visto como a música do diabo. Uma veia xamânica da qual Mari Boine e o seu ensemble herdaram o ritmo e a espiritualidade, lembrando os tempos em que o homem estava mais próximo da natureza. A voz mística da embaixadora dos sami, que canta também em inglês, mistura então o joik com os blues, o jazz, o rock e mesmo a música electrónica. São sons mais entoados que cantados, onde se evoca a beleza da terra e das montanhas, o sol da meia-noite nos meses de Verão ou as tradições pré-cristãs.
"Nós Daqui Vós Dali", Gaiteiros de Lisboa (Portugal) - portuguese folk
As músicas do mundo continuam com os Gaiteiros de Lisboa, que nos trazem o tema "Nós Daqui Vós Dali", extraído do álbum "Dança Chamas", gravado ao vivo em Outubro de 2000 no pequeno auditório do Centro Cultural de Belém. São novos arranjos das versões registadas em estúdio, numa viagem pelo romanceiro tradicional e pela história da música popular portuguesa que tem por convidados José Mário Branco, Danças Ocultas, Vozes da Rádio e Tocá Rufar. Desde 1991 que os Gaiteiros de Lisboa criam de forma inovadora música tradicional portuguesa, baseando-se nas tradições vocais, nos ritmos do tambor e na sonoridade das gaitas e flautas, que dão à sua música um ar medieval. O experimentalismo deste grupo, que utiliza ainda a sanfona, a trompa, a tarota (oboé catalão) e o clarinete, leva-o a reinventar ou criar instrumentos como os “túbaros de Orpheu” (aerofone múltiplo de palhetas simples), a “cabeçadecompressorofone” (aerofone de percussão) ou o “clarinete acabaçado” (aerofone de palheta simples). Juntam-se-lhes ainda os cordofones, os flautões (aerofones de arestas) e o sanfonocello (sanfona baixo). Criando um ambiente de festa, recheado de sons desconhecidos e de percussões populares, os Gaiteiros de Lisboa ressuscitaram o gosto por uma certa música portuguesa de raiz tradicional, arrastando para os seus concertos verdadeiras multidões de pessoas a quem estas músicas pouco ou nada diziam.
"Olhos de Maré", Dazkarieh (Portugal) - folk rock, world fusion
Os portugueses Dazkarieh trazem-nos "Olhos de Maré", tema extraído do seu último álbum "Incógnita Alquimia". Neste trabalho, apresentado no final de Setembro no Mosteiro dos Jerónimos, o grupo demonstra uma sonoridade mais coesa, mantendo no entanto a busca incessante de sons acústicos que se fundam na música tradicional. Conhecida por navegar entre os sons da Irlanda, Índia, África, Andes, Espanha e Balcãs, esta banda lisboeta propõe-nos uma viagem pela diversidade musical do planeta. Um projecto que procura a sua alma sonora nas culturas mais díspares. Os instrumentistas dos Dazkarieh, cuja formação vai da música tradicional, experimental e erudita ao rock, servem-se, entre outros, do bouzouki e da flauta transversal, da nyckelharpa (harpa tradicional sueca, semelhante a um violino com teclas) e do cavaquinho, da gaita transmontana e do bandolim. Formados em 1999 por Filipe Duarte, José Oliveira e Vasco Ribeiro Casais, os Dazkarieh começaram por ser conotados com o som celta e a folk gótica. Mais tarde, com a fusão de materiais musicais tão diferenciados, e já assumidamente ligados à chamada world music, o grupo integrou então cinco novos elementos, passando a conceber canções em língua portuguesa. Recorde-se que até então o "dazkariano" era a base linguística de todas as suas músicas.
"Todii", Oliver 'Tuku' Mtukudzi (Zimbabué) - tuku music
A viagem prossegue com Oliver 'Tuku' Mtukudzi e o tema "Todii", retirado do álbum "Tuku Music", lançado em 1999. Figura emblemática da música urbana africana e uma das maiores estrelas do Zimbabué, o cantautor e guitarrista Oliver Mtukudzi criou um género único chamado tuku. Uma aliança dos ritmos da África austral, com influências da mbira, do mbaqanga sul-africano, da zimbabueana jit music, do katekwe, do urban zulu, das percussões dos Korekore, o seu clã, e dos temas tradicionais shona, etnia que corresponde a três quartos da população do Zimbabué. Oliver Mtukudzi começou a sua carreira em 1977 ao juntar-se aos Wagon Wheels, grupo lendário de que também fazia parte o poeta revolucionário Thomas Mapfumo. Foi com músicos desta banda que ele formaria os Black Spirits. Com a independência do seu país, Oliver torna-se produtor e consegue editar dois álbuns por ano – a lista já vai nos 35 trabalhos de originais. Pelo seu carácter inovador e pela voz generosa, a música de Oliver Mtukudzi distingue-se facilmente dos outros estilos do Zimbabué. Um artista popular pela capacidade de abordar os problemas económicos e sociais do seu povo, e de seduzir o público com um humor contagioso e optimista.
"Françafrique",Tiken Jah Fakoly (Costa do Marfim) - afropop, mandingo, soukous, african reggae
A jornada musical continua com Tiken Jah Fakoly e o tema "Françafrique", extraído do álbum do mesmo nome, gravado em Kingston, na Jamaica, e editado em 2002. Trabalho em que se destacam as colaborações de Anthony B, U-Roy e Yaniss Odua, e onde o rebelde tranquilo recupera títulos antigos, reflectindo sobre a situação sócio-política do seu país. Figura de proa do reggae do oeste africano, Tiken Jah Fakoly faz uma ponte com a Jamaica e mergulha na tradição mandingo, sem no entanto deixar de permanecer ligado ao urbano. De etnia malinké, Fakoly é descendente do chefe guerreiro Fakoly Koumba Fakoly Daaba e membro de uma família de griots, tradicionalmente vistos como os depositários da tradição oral de uma família, povo ou país. Obrigado a viver entre o Mali e a França, o porta-voz da jovem geração da Costa do Marfim ataca os regimes de alguns presidentes africanos, denunciando a injustiça, a corrupção e as desigualidades que todavia subsistem naquele continente. Fakoly canta em francês, inglês e dioula, a língua da sua etnia, falada no norte da Costa do Marfim, Guiné-Conacri, Mali e Burkina-Faso.
"Tuhe", Trilok Gurtu (Índia) - world, jazz, khylal
A jornada prossegue com Trilok Gurtu e o tema “Tuhe”, extraído do álbum "The Beat of Love", editado em 2001. Gurtu, cujo avô era um conhecido tocador de cítara e a mãe uma estrela do canto clássico, tornou-se conhecido como membro dos Oregon, uma banda de fusão world/jazz. Cinco vezes eleito o melhor percussionista do planeta pela revista “Downbeat”, título ganho pela ponte que criou entre a música do Oriente e Ocidente, Trilok Gurtu mistura ritmos indianos, executados com a tabla, com elementos do jazz, da música de dança, do rock, da música clássica e da música étnica de todo o planeta. Este ano, ele regressou à tradição indiana, apoiado pelos cantores Rajan e Sajan Misra, e apresentando o khylal, espécie de cântico hipnótico. O virtuosismo deste indiano, natural de Bombaim, transformou-o num dos grandes vultos do post-jazz, do jazz de fusão e do avant-garde. Ele tem colaborado com génios da música como Jan Garbarek, Ravi Shankar ou David Gilmour, destacando-se na comunidade jazzística por surgir ao lado de nomes como Don Cherry, John McLaughlin, Joe Zawinul ou Pat Metheny.
"Amdy Bayp",Yat-Kha (Rússia) - tuva rock, punk-folk
Seguem-se os Yat-Kha, que nos trazem o tema "Amdy Bayp", extraído do álbum "Tuva Rock", editado no ano passado. Esta banda originária da república russa de Tuva (região situada a sudoeste da Sibéria) foi fundada em Moscovo em 1991 pelo vocalista e guitarrista Albert Kuvezin e pelo compositor electrónico russo Ivan Sokolovsky. Farto de cantar temas xamânicos em grupos típicos como os Huun-Huur-Tu, Kuvezin decidiu então juntar a música moderna do Ocidente com a tradicional do seu país. O duo adoptou o nome de Yat-Kha (lê-se iát-rá), em alusão a uma espécie de pequena cítara da Ásia central semelhante à guzheng chinesa. Aos instrumentos tradicionais juntam-se então as guitarras eléctricas, os instrumentos electrónicos e outros inventados pelo grupo. Com a energia do rock, a banda rejuvenesceu uma das mais extraordinárias tradições vocais do mundo, criando distorções e dissonâncias que se aproximam do punk e do metal. As melodias e ritmos são acompanhados pelas três vocalizações básicas do canto polifónico da Tuva: o khoomei, o kargyraa e o sygyt. Técnica outrora muito utilizada pelos povos da Ásia central para imitar os sons da natureza, e em que uma única voz consegue emitir várias notas em simultâneo.
"Peregrino", Zuco 103 (Brasil, Holanda, Alemanha) - electronic, nu-jazz
A fechar o programa os Zuco 103 e o tema "Peregrino", numa remistura de David Walters, artista e produtor estabelecido em Marselha e que fez parte do colectivo Zimpala. Um tema recheado de breakbeat e extraído do álbum "One Down, One Up", duplo CD editado em 2003 e que se divide entre temas acústicos, actuações ao vivo e remisturas. Os Zuco 103 misturam house com maracatu e drum'n'bass com samba, entre outros ritmos brasileiros e electrónicos. Pioneiros na fusão de ritmos de dança naquele país, eles são formados pela vocalista brasileira Lilian Vieira, pelo baterista holandês Stefan Kruger e pelo teclista alemão Stefan Schmid. Os dois músicos, que formavam já um dueto de jazz, decidiram dar alguma frescura à banda, convidando uma cantora do Rio de Janeiro que haviam conhecido no Conservatório de Roterdão.
Jorge Costa
"Iddjagieđas", Mari Boine Persen (Noruega) - joik, jazz, blues
A abrir a emissão a norueguesa Mari Boine Persen com o tema “Iddjagieđas” (Na Mão da Noite), extraído do álbum do mesmo nome, lançado em Abril deste ano. Com mais de vinte anos de carreira, Mari Boine tem lutado pela preservação das tradições e pelo reconhecimento dos direitos dos seus compatriotas sami, povo que habita a chamada Lapónia, território situado no norte da Escandinávia. Mari Boine cresceu numa altura em que ainda era proibido falar o dialecto sami nas escolas e cantar o joik (yoik em inglês). Graças à pesada herança da colonização cristã, o canto mais característico dos sami foi durante muito tempo visto como a música do diabo. Uma veia xamânica da qual Mari Boine e o seu ensemble herdaram o ritmo e a espiritualidade, lembrando os tempos em que o homem estava mais próximo da natureza. A voz mística da embaixadora dos sami, que canta também em inglês, mistura então o joik com os blues, o jazz, o rock e mesmo a música electrónica. São sons mais entoados que cantados, onde se evoca a beleza da terra e das montanhas, o sol da meia-noite nos meses de Verão ou as tradições pré-cristãs."Nós Daqui Vós Dali", Gaiteiros de Lisboa (Portugal) - portuguese folk
"Olhos de Maré", Dazkarieh (Portugal) - folk rock, world fusion
"Todii", Oliver 'Tuku' Mtukudzi (Zimbabué) - tuku music
"Françafrique",Tiken Jah Fakoly (Costa do Marfim) - afropop, mandingo, soukous, african reggae
"Tuhe", Trilok Gurtu (Índia) - world, jazz, khylal
"Amdy Bayp",Yat-Kha (Rússia) - tuva rock, punk-folk
"Peregrino", Zuco 103 (Brasil, Holanda, Alemanha) - electronic, nu-jazz
Jorge Costa
segunda-feira, 2 de outubro de 2006
World Music Charts Europe - Outubro 2006
Eis o TOP 20 relativo ao mês de Outubro dos 193 discos nomeados para a tabela europeia de música do mundo (a lista pode ser consultada em http://www.wmce.de). A assinalar, a manutenção da liderança, as quatro novas entradas para o WMCE e as ligeiras alterações no painel dos dez álbuns que em Setembro lideravam a tabela:
1º- SAVANE, Ali Farka Toure (Mali) - World Circuit
mês passado: 1ºlugar
2º- GOLDEN AFRIQUE VOL. 3, vários - Network Medien
estreia na tabela
3º- MUSIQUES METISSES, vários - Marabi
mês passado: 8ºlugar
4º- BREATH, Mercan Dede (Turquia, Canadá) - Doublemoon
mês passado: 3ºlugar
5º- IDJAGIEĐAS, Mari Boine (Noruega) - Emarcy (Universal)
mês passado: 6ºlugar
6º- PASJA LEGENDA, Brina (Eslovénia) - DruGod
estreia na tabela
7º- THE ROUGH GUIDE TO WEST AFRICAN GOLD, vários - World Music Network
mês passado: 4ºlugar
8º- GRAND BAZAAR, Istambul Oriental Ensemble (Turquia) - Network Medien
mês passado. 9ºlugar
9º- EL VIAJE, Gabriela (Argentina) - Intuition
mês passado: 11ºlugar
10º- BOOM PAM, Boom Pam (Israel) - Essay Recordings
estreia na tabela
11º- RIMFAXE, Gjallarhorn (Finlândia, Suécia) - Vindauga/Westpark
mês passado: 104ºlugar
12º- GOLD & WAX, Gigi (Etiópia, EUA) - Palm Pictures
mês passado: 2ºlugar
13º- TRAGARE, Druzina (Eslováquia) - Indies
mês passado: 12ºlugar
14º- DOG DAZE, Csokolom (Holanda) - Arhoolie
mês passado: 21ºlugar
15º- MASCARAS, Sergent García (Espanha) - EMI
mês passado: 91ºlugar
16º- ELYSIUM FOR THE BRAVE, Azam Ali (EUA, Irão) - Six Degrees
mês passado: 15ºlugar
17º- AFTER THE FACT, Orient Expressions (Turquia) - Doublemoon
mês passado: 44ºlugar
18º- STUDIO CAMEROON
Sally Nyolo and the Original Bands of Yaombe (Camarões) - Riverboat
estreia na tabela
19º- POPLOR, Thomas Kocko & Orchestr (República Checa) - Indies
mês passado: 13ºlugar
20º- SONGS OF ICON, Lekan Babalola (Nigéria, Reino Unido) - Mr Bongo
mês passado: 40ºlugar
1º- SAVANE, Ali Farka Toure (Mali) - World Circuit
mês passado: 1ºlugar
2º- GOLDEN AFRIQUE VOL. 3, vários - Network Medien
estreia na tabela
3º- MUSIQUES METISSES, vários - Marabi
mês passado: 8ºlugar
4º- BREATH, Mercan Dede (Turquia, Canadá) - Doublemoon
mês passado: 3ºlugar
5º- IDJAGIEĐAS, Mari Boine (Noruega) - Emarcy (Universal)
mês passado: 6ºlugar
6º- PASJA LEGENDA, Brina (Eslovénia) - DruGod
estreia na tabela
7º- THE ROUGH GUIDE TO WEST AFRICAN GOLD, vários - World Music Network
mês passado: 4ºlugar
8º- GRAND BAZAAR, Istambul Oriental Ensemble (Turquia) - Network Medien
mês passado. 9ºlugar
9º- EL VIAJE, Gabriela (Argentina) - Intuition
mês passado: 11ºlugar
10º- BOOM PAM, Boom Pam (Israel) - Essay Recordings
estreia na tabela
11º- RIMFAXE, Gjallarhorn (Finlândia, Suécia) - Vindauga/Westpark
mês passado: 104ºlugar
12º- GOLD & WAX, Gigi (Etiópia, EUA) - Palm Pictures
mês passado: 2ºlugar
13º- TRAGARE, Druzina (Eslováquia) - Indies
mês passado: 12ºlugar
14º- DOG DAZE, Csokolom (Holanda) - Arhoolie
mês passado: 21ºlugar
15º- MASCARAS, Sergent García (Espanha) - EMI
mês passado: 91ºlugar
16º- ELYSIUM FOR THE BRAVE, Azam Ali (EUA, Irão) - Six Degrees
mês passado: 15ºlugar
17º- AFTER THE FACT, Orient Expressions (Turquia) - Doublemoon
mês passado: 44ºlugar
18º- STUDIO CAMEROON
Sally Nyolo and the Original Bands of Yaombe (Camarões) - Riverboat
estreia na tabela
19º- POPLOR, Thomas Kocko & Orchestr (República Checa) - Indies
mês passado: 13ºlugar
20º- SONGS OF ICON, Lekan Babalola (Nigéria, Reino Unido) - Mr Bongo
mês passado: 40ºlugar
quarta-feira, 27 de setembro de 2006
Emissão #27 - 30 Setembro 2006
A 27ª emissão do MULTIPISTAS - MÚSICAS DO MUNDO, difundida no sábado, 30 de Setembro, entre as 17 e as 18 horas, na Rádio Urbana (Castelo Branco - 97.5 FM; Fundão, Covilhã e Guarda - 100.8 FM), vai de novo para o ar na segunda-feira, 2 de Outubro, entre as 19 e as 20 horas, sendo reposta três semanas depois (21 e 23 de Outubro) nos horários atrás indicados.
"Ghole Pamtschal", Schäl Sick Brass Band (Alemanha) - brass band, jazz, folk
Os Schäl Sick Brass Band a abrirem a emissão com o tema "Ghole Pamtschal", extraído do álbum "Tschupun", editado em 1999. O grupo surgiu em Colónia, capital cultural da província da Renânia e fortaleza mediterrânica da Alemanha. Um dos muitos emigrantes e visitantes de todo o mundo que a encheram de sons coloridos foi Raimund Kroboth, que em 1977 se instalou na margem direita do Reno. No dialecto local, aquela parte da cidade é conhecida precisamente por "Schäl Sick" (lado errado). Isto porque está do lado contrário à catedral e ao centro de Colónia, e porque é um enclave protestante na católica Renânia. Partindo de uma secção de ritmo que tem por base a tuba, a cítara popular e as percussões, os Schäl Sick Brass Band utilizam o som das fanfarras da região alemã da Bavaria e da Boémia checa para explorarem com inovação e versatilidade a música de outras culturas. Eles combinam elementos de jazz com o rock, o funk, o hip-hop o rap ou a folk. Um universo sonoro influenciado pela Europa central e de Leste e pelo norte de África, onde convivem ritmos cubanos, gregos, latinos, africanos e orientais, e instrumentos de todo o mundo - tavil, kanjira, dhol, dolki, omele, sekere, gangan, thereminvox, entre muitos outros. Um ambiente festivo em que se celebra a música de todo o planeta e onde o lema é "pensar global, soprar local"...
"Morning Nightcap", Lúnasa (Irlanda) - celtic
As músicas do mundo prosseguem com os Lúnasa e o tema "Morning Nightcap", extraído do álbum "The Merry Sisters of Fate", lançado em 2001. Na Irlanda, ainda hoje o mês de Agosto é conhecido por Lúnasa - o termo original era Lughnasadh -, uma alusão ao antigo festival celta outrora realizado no primeiro dia de Outono em honra do deus irlandês Lugh, patrono das artes. Este quinteto instrumental, criado em 1997, contraria a tendência de fundir a música tradicional com o rock, a pop ou a música electrónica. No enteder dos Lúnasa, a renovação da música celta passa pela tradição, embora eles não fechem portas a novas sonoridades. O grupo transporta a música acústica do seu país para novos territórios, acudindo directamente ao coração dos ritmos. Inspirados pela The Bothy Band, referência dos anos de 1970, os novos deuses da música irlandesa juntam de maneira singular o violino, a flauta, o whistle, o baixo e a guitarra acústica, explorando também as raízes bretãs e galegas. Ao baixista Trevor Hutchinson (ex-Waterboys) e ao guitarrista Paul Meehan (que veio substituir Donogh Hennessy, antigo membro da Sharon Shannon Band) juntam-se então o violinista Seán Smyth e as flautas e gaitas irlandesas de Kevin Krawford e Cillian Vallely. Graças aos seus arranjos inventivos e ao som enérgico com influências do jazz, blues, rock, country e outras formas de improviso, os Lúnasa definiram um novo standard para a música irlandesa de raízes tradicionais.
"Per la Boca", L'Ham de Foc (Espanha) - traditional folk
Os valencianos L’Ham de Foc (Anzol de Fogo) regressam ao programa, desta feita com “Per la Boca”, tema extraído do seu terceiro e último álbum “Cor de Porc” (Coração de Porco), editado no ano passado. Desde 1998 que os L’Ham de Foc se servem de mais de trinta instrumentos acústicos mediterrânicos – darabuka, bendir, gaitas galega e búlgara, violino, sanfona, saltério, bouzouki, alaúde e cítara são alguns deles – para criarem atmosferas intensas e mágicas. Utilizando uma orquestração tradicional, mas socorrendo-se de uma linguagem actualizada, os L’Ham de Foc entrelaçam a música medieval ocidental, do Médio Oriente ou do Mediterrâneo oriental, num universo de sons africanos, europeus e orientais, criando um conglomerado sonoro que se concentra em redor do Mediterrâneo. As percussões são a base para os textos e melodias modais tecidas pela voz de Mara Aranda, que é acompanhada por instrumentos de corda e sopro, tocados por Efrén López. Contrariando a tendência crescente da folk actual pelos ritmos electrónicos, os L’Ham de Foc confiam na simplicidade do som acústico e na pureza da música medieval. Algo que os tornou uma referência em todo o mundo no que toca à música tradicional.
"Khululuma", African Rhythm Travellers (África do Sul) - african dance
A viagem prossegue com os African Rhythm Travellers e o tema "Khululuma", extraído do album "Putumayo Presents African Groove", editado em 2003. Os African Rythm Travellers nasceram em Joanesburgo, na África do Sul, em 2001, fruto da colaboração entre os membros dos Colorfields, uma banda performativa da Cidade do Cabo, e os The Branch, um grupo local de afro-reggae. Eles juntam o kwaito com o funk, o reggae, a dub, a house e a música electrónica, criando uma mistura única de ritmos e melodias africanas a que chamaram de african dance. São sons tribais que se cruzam com géneros urbanos. Os African Rhythm Travellers são formados por Ben Amato (teclados, guitarra, saxofone e flauta), Eric Michot (baixo), Ash Read (tambores), Lennox Olivier (percussões), Danial "Dials" Gous (guitarra), Judah (vozes) e Kirsten Olivier (teclados), incorporando no seu repertório a sonoridade do bongo, do saxofone e mesmo da flauta. As letras são apimentadas com comentários sociais e espiritualidade rastafari. O objectivo da sua música é dar algo positivo ao mundo e abrir o seu universo musical a toda a gente, numa mensagem que apela à consciencialização.
"Let Them Talk", Geraldo Pino & The Heartbeats (Serra Leoa) - afro soul funk
Seguimos até à Serra Leoa com Geraldo Pino e os The Heartbeats. Eles trouxeram-nos o tema “Let Them Talk”, extraído da antologia "Afro Soco Soul Live". Um CD editado no ano passado para resgatar do desconhecimento o álbum “Heavy Heavy Heavy”, gravado entre 1962 e 1967. Cantor, guitarrista e líder dos The Heartbeats, Geraldo Pino, cujo verdadeiro nome é Gerald Pine, foi o herói do afro soul funk e um dos pioneiros da afrobeat na África Ocidental nas décadas de 60 e 70. Em 1961, com a explosão do rock'n'roll, ele e a sua banda começam por interpretar sucessos da soul e da pop inglesa e americana, tornando-se a primeira orquestra do género na região. Quatro anos depois partem para Monróvia, capital da Libéria, o primeiro país africano em se popularizaram os discos de James Brown, Ray Charles, Otis Redding e Wilson Pickett. Marcas que a banda levaria consigo nas tournées pelo Gana e Nigéria. Com a crescente influência do funk latino, a música de Gerald Pino e dos The Heartbeats africaniza-se, ganhando energia, ritmo e slogans políticos. Na sua primeira actuação em Lagos, na Nigéria, o estilo inovador de Geraldo Pino influenciou de tal forma Fela Kuti, então dedicado ao jazz e ao highlife, que este evitou actuar em locais onde ele já tivesse passado. Isto porque acreditava que nada poderia superar o James Brown africano.
"Hakmet Lakdar", Hasna El Becharia (Argélia) - gnawa music
A jornada musical prossegue com Hasna El Becharia e o tema “Hakmet Lakdar”, extraído do álbum “Djazaïr Johara”, editado em 2001. Os ritmos e melodias dos escravos negros africanos e dos imigrantes e seus descendentes são parte da cultura musical do norte de África. Uma herança que em Marrocos tem o nome de gnawa, e na Argélia é chamada de diwan de Bechar. É precisamente em Bechar, cidade situada no sul da Argélia, junto ao deserto do Sáara, que vive Hasna El Becharia, a rainha do diwan e da vibrante música de casamentos. Em 1972 ela formou um grupo com três amigos, começando por tocar na guitarra acústica os ritmos tradicionais do deserto. O sucesso nas festas não se faz esperar, e para se destacar das vozes do público, que cantava em coro as suas canções, Hasna El Becharia decide enveredar pela guitarra eléctrica. A fama estende-se então a todo o sul da Argélia. Apesar de dominar a utilização de instrumentos afro-magrebinos como o gumbri (baixo de três cordas do Sáara) ou a krakesh (espécie de castanholas de metal), e de tocar também oud, derbouka, bendir e banjo, a guitarra é a sua vida. Em mais de cinquenta anos de carreira, Hasna El Becharia gravou apenas um trabalho. Tudo porque os produtores argelinos nunca lhe inspiraram confiança. Neste disco, em que participam músicos da Argélia, Marrocos, Tunísia e Níger, Hasna El Becharia explora o som das guitarras e dos timbres vocais, deixando transparecer o seu profundo sentido de improviso e composição.
"Sahra Saidi", Gamal Goma (Egipto) - bellydance
O percusionista Gamal Goma traz-nos o tema “Sahra Saidi”, extraído do álbum “Shake Me Ya Gamal”, lançado em 2003. Gamal Goma nasceu em Giza, no Egipto, e graduou-se na Academia de Música do Cairo, acumulando duas décadas de experiência com os mais famosos ensembles do Médio Oriente e América. Na capa deste disco, uma colecção de solos de percussão, cada um baseado num ritmo particular – saidi, malfoof, maqsum, ayyoub, khaliji ou fallahi –, ele surge ao lado da dançarina Fifi Abdou. Especialista na tabla (tambor indiano), Gamal Goma toca também doholla (tabla grave), mazhar (pandeireta gigante), riqq (pandeireta árabe), sagat (timbales de dedo) e dufs (espécie de pandeireta). Neste trabalho podemos conhecer algumas composições para raqs sharki, termo árabe para dança do ventre, e que traduzido literalmente equivale a “dança do Oriente”. Um género enraizado numa dança levada a cabo em celebrações comunitárias e dançada por todos os membros da comunidade. Com o crescimento do Islão veio a segregação entre homens e mulheres, mas no século XX o desenvolvimento dos media precipitou a sua dissolução. Com a introdução da dança do ventre nos Estados Unidos pelo vaudeville e pelos espectáculos burlescos, esta popularizou-se em todo o mundo. Se no Egipto e Líbano a dança do ventre é acompanhada pelo oud (alaúde), a kanoun (cítara arménia), o kaman (violino árabe), a nay (flauta egípcia de bambu), o rabab (cordofone de arco, principal instrumento da música afegã), o mizmar (clarinete árabe), o dumbek (tambor egípcio), a tabla ou a riqq, nas danças turcas têm lugar o saz (instrumento de cordas), o azoukie (alaúde comprido), a kanoun, o dumbek e a zurna (flauta de montanha).
"Min Man", Garmarna (Suécia) - folk-rock
Os suecos Garmarna trazem-nos o tema "Min Man" (O Meu Marido), extraído do álbum “Live”, editado em 2002. Esta banda de rock, formada em 1990, canta velhas lendas da música tradicional do seu país, falando de bruxas más, madrastas tenebrosas e de princesas indefesas. Convém explicar que na mitologia sueca os Garmarna eram os cães que guardavam a porta do inferno. Uma imagem metafórica que se transpõe facilmente para os cenários sonoros criados por este quinteto, que oscila entre as estéticas anglo-saxónicas e os ambientes da música tradicional sueca. No entanto, os Garmarna não fazem questão de perpetuar tradições. O que eles querem é tocar com a vontade do momento, com tudo o que isso tenha de eterno ou de efémero. Um som único, influenciado pelo rock, e que remistura a instrumentação antiga com amostras de batidas, harpas, violinos e guitarras distorcidas.
"Lovelight", Stereo Action Unlimited (França, Suiça) -
acid jazz, latin lounge
A fechar a emissão os Stereo Action Unlimited com o tema "Lovelight", extraído do LP do mesmo nome e parteintegrante da colectânea"Paris Lounge", lançada em 2001. Os Stereo Action Unlimited são formados pelo francês Philippe Cohen Solal e pelo suíço Christophe Müeller, uma dupla que partilha outras experiências musicais como os The Boyz From Brazil, ligada às pistas de dança, e a mais popular delas todas, os Gotan Project, a qual envolve também o guitarrista Eduardo Makaroff e cria uma síntese entre o tango e a música electrónica. Desde 1997 que estes escultores do vinil e artesãos dos sons trabalham conjuntamente em projectos que combinam música e imagem, explorando paixões como a música sul-americana e os novos territórios electrónicos.
Jorge Costa
"Ghole Pamtschal", Schäl Sick Brass Band (Alemanha) - brass band, jazz, folk
"Morning Nightcap", Lúnasa (Irlanda) - celtic
"Per la Boca", L'Ham de Foc (Espanha) - traditional folk
Os valencianos L’Ham de Foc (Anzol de Fogo) regressam ao programa, desta feita com “Per la Boca”, tema extraído do seu terceiro e último álbum “Cor de Porc” (Coração de Porco), editado no ano passado. Desde 1998 que os L’Ham de Foc se servem de mais de trinta instrumentos acústicos mediterrânicos – darabuka, bendir, gaitas galega e búlgara, violino, sanfona, saltério, bouzouki, alaúde e cítara são alguns deles – para criarem atmosferas intensas e mágicas. Utilizando uma orquestração tradicional, mas socorrendo-se de uma linguagem actualizada, os L’Ham de Foc entrelaçam a música medieval ocidental, do Médio Oriente ou do Mediterrâneo oriental, num universo de sons africanos, europeus e orientais, criando um conglomerado sonoro que se concentra em redor do Mediterrâneo. As percussões são a base para os textos e melodias modais tecidas pela voz de Mara Aranda, que é acompanhada por instrumentos de corda e sopro, tocados por Efrén López. Contrariando a tendência crescente da folk actual pelos ritmos electrónicos, os L’Ham de Foc confiam na simplicidade do som acústico e na pureza da música medieval. Algo que os tornou uma referência em todo o mundo no que toca à música tradicional."Khululuma", African Rhythm Travellers (África do Sul) - african dance
"Let Them Talk", Geraldo Pino & The Heartbeats (Serra Leoa) - afro soul funk
Seguimos até à Serra Leoa com Geraldo Pino e os The Heartbeats. Eles trouxeram-nos o tema “Let Them Talk”, extraído da antologia "Afro Soco Soul Live". Um CD editado no ano passado para resgatar do desconhecimento o álbum “Heavy Heavy Heavy”, gravado entre 1962 e 1967. Cantor, guitarrista e líder dos The Heartbeats, Geraldo Pino, cujo verdadeiro nome é Gerald Pine, foi o herói do afro soul funk e um dos pioneiros da afrobeat na África Ocidental nas décadas de 60 e 70. Em 1961, com a explosão do rock'n'roll, ele e a sua banda começam por interpretar sucessos da soul e da pop inglesa e americana, tornando-se a primeira orquestra do género na região. Quatro anos depois partem para Monróvia, capital da Libéria, o primeiro país africano em se popularizaram os discos de James Brown, Ray Charles, Otis Redding e Wilson Pickett. Marcas que a banda levaria consigo nas tournées pelo Gana e Nigéria. Com a crescente influência do funk latino, a música de Gerald Pino e dos The Heartbeats africaniza-se, ganhando energia, ritmo e slogans políticos. Na sua primeira actuação em Lagos, na Nigéria, o estilo inovador de Geraldo Pino influenciou de tal forma Fela Kuti, então dedicado ao jazz e ao highlife, que este evitou actuar em locais onde ele já tivesse passado. Isto porque acreditava que nada poderia superar o James Brown africano.
"Hakmet Lakdar", Hasna El Becharia (Argélia) - gnawa music
"Sahra Saidi", Gamal Goma (Egipto) - bellydance
"Min Man", Garmarna (Suécia) - folk-rock
"Lovelight", Stereo Action Unlimited (França, Suiça) -
A fechar a emissão os Stereo Action Unlimited com o tema "Lovelight", extraído do LP do mesmo nome e parteintegrante da colectânea"Paris Lounge", lançada em 2001. Os Stereo Action Unlimited são formados pelo francês Philippe Cohen Solal e pelo suíço Christophe Müeller, uma dupla que partilha outras experiências musicais como os The Boyz From Brazil, ligada às pistas de dança, e a mais popular delas todas, os Gotan Project, a qual envolve também o guitarrista Eduardo Makaroff e cria uma síntese entre o tango e a música electrónica. Desde 1997 que estes escultores do vinil e artesãos dos sons trabalham conjuntamente em projectos que combinam música e imagem, explorando paixões como a música sul-americana e os novos territórios electrónicos.
Jorge Costa
Subscrever:
Mensagens (Atom)